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27/01/2016

O profissional do novo milênio

Professora da Fundação Getúlio Vargas, Ana Ligia Finamor, fala sobre carreira e o perfil profissional do novo milênio para o Jornal do Comerciário - Edição de Fevereiro. Confira a matéria na integra!

O perfil profissional do novo milênio.

O mundo corporativo está cada vez mais competitivo e novos perfis profissionais estão sendo demandados. As pessoas precisam continuamente reinventar-se como profissionais, ser tecnológicas, proativas, criativas, resilientes e saber trabalhar em equipe para permanecerem no mercado de trabalho marcado por tão rápidas mudanças.

Em linhas gerais, novas profissões estão sendo inventadas, outras estão desaparecendo. Está atento a essas transformações se tornou imprescindível para manter-se competitivo neste novo panorama.

Sendo assim, desenvolver novas habilidades e dominar o uso das tecnologias, abre portas para quem não fica esperando o emprego dos sonhos ou imagina que seu lugar no mundo do trabalho está garantido.

Muito além de estar preparado sob o ponto de vista de habilidades e novas metodologias, é fundamental ter competências de comunicação em ambientes virtuais. Nas organizações modernas, criou-se uma tendência de recrutar fazendo uso das redes sociais, onde é possível identificar aspectos tanto do perfil profissional quanto pessoal do candidato. Destarte, há que se ter cautela quanto às condutas inapropriadas nas redes, pois tais comportamentos podem tornar-se fatores determinantes para um não recrutamento futuro, o que evidencia a necessidade de manter, mesmo em ambientes tão informais, uma postura ética, coesa com as informações inseridas no curriculum.

O ambiente virtual em geral e recursos como a rede social profissional linkedin, tem o papel de dá visibilidade a profissionais do mundo todo. O Linkedin, é uma ferramenta que serve para otimizar a comunicação e encurtar distancias entre organizações e profissionais, permitindo a este último criar sua rede de relacionamento (Networking). O único alerta é para não replicar nesta plataforma os principais erros cometidos nos currículos tradicionais, como: o autoelogio descrições genéricas de si mesmo pouca objetividade o uso de chavões como motivado, pronto para desafios, e, desta forma, não aproveitar a oportunidade para deixar claro os resultados práticos alcançados no passado. A escolha errada da foto de apresentação (como por exemplo, com roupas ousadas e informais em demasia) e o excesso de informações com pequena relevância também podem ser considerados como falhas de utilização desta ferramenta. As empresas têm utilizado estes espaços como uma extensão do currículo. É, portanto, através das postagens que se pode ter uma ideia mais clara do comportamento do profissional no dia-a-dia. Vale ressaltar, que essa conduta dos profissionais de recrutamento e seleção, já é mais que uma tendência, essa prática já é uma realidade.

Portanto, informações da vida pessoal dos candidatos expostas nas redes sociais podem revelar comportamentos desejados, como o engajamento em causas humanitárias e/ou trabalho voluntário, assim como, pode evidenciar comportamentos indesejados, como a homofobia e preconceitos étnicos raciais, por exemplo.

O profissional pode utilizar-se desta ferramenta para comunicar informações úteis e objetivas, como as entregas que realizou - priorizando a qualidade das informações em prejuízo à quantidade. Desse modo, experiências fora do país, conhecimentos na área da tecnologia, trabalhos voluntários, e, se for o caso, valores de vida e propósitos motivacionais — cuidando apenas para preservar sua vida pessoal — também são informações válidas para indicar o perfil profissional do candidato. As organizações podem se utilizar destas informações para identificar o profissional que pode estar mais coerente com os valores e princípios da empresa.

Ainda há casos em que pessoas produzem vídeo currículo e postam no YouTube, mas vale ressaltar que, a prática dos currículos em vídeo é bastante incipiente e ainda não tem eficiência comprovada. Além disso, o YouTube não é uma plataforma dedicada a esse propósito, entretanto, nada impede que plataformas como o Linkedin adicionem essa forma de apresentação de perfis/currículos em algum momento, especialmente porque apresentações em vídeo podem revelar características de um candidato que não são facilmente percebidas nos atuais currículos on-line, valendo-se sobretudo, da comunicação não-verbal.

Uma metodologia inovadora, que muito tem contribuído com empresas e profissionais, chama-se designer thinking. O Design Thinking é uma metodologia que tem sido usada pelos mais variados ramos de organizações, para estimular a criatividade na resolução de problemas e desafios por meio do trabalho em equipe. Para tanto, usa-se a empatia como premissa para o desenvolvimento de novos produtos e serviços. É uma inovação que coloca o ser humano e suas necessidades no centro de tudo. O processo do Design Thinking tem uma relação direta com o mundo corporativo e a gestão de pessoas. Na prática, ao se comparar o pensamento empresarial tradicional com o design thinking, podemos perceber uma grande diferença no que tange a percepção acerca do problema. No pensamento empresarial tradicional, a solução está centrada no problema, e, no design thinking, está na compreensão do mesmo, o que de certa forma já nos leva a uma aproximação da solução, pois compreender o que necessitamos mudar é o primeiro passo a ser dado para obter sucesso.

Estamos vivendo uma nova realidade, ter criatividade e ser proativo são competências que devem ser priorizadas. É importante utilizarmos todos os meios de comunicação para ter visibilidade efetiva, usando o conhecimento de novas metodologias para se diferenciar. E, sobretudo, buscar continuamente o seu autodesenvolvimento.

Ana Ligia Nunes Finamor

É Doutora pela Universidade de León, Espanha e Mestre em desenvolvimento humano pela Universidade do Estado de Santa Catarina — UDESC. Autora de livros, como “Construção de Equipes de Alto Desempenho”, dentre outros. Orienta projetos na área de Gestão de Pessoas. É professora e coordena os MBAs em Gestão Empresarial, Gestão Estratégica de Pessoas e Gestão Estratégica do Esporte da Fundação Getúlio Vargas - FGV, onde já recebeu prêmio de melhor professora por quatro anos consecutivos e melhor coordenadora em duas oportunidades. Possui formação em Design Thinking nos Estados Unidos e Espanha e é consultora e realiza treinamentos corporativos na área de desenvolvimento de equipes, gestão de pessoas e design thinking.

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